Salve salve este Brasil atrasado.

Ano passado, já tinha expressado a minha responsabilidade parcial pelos motivos de tantos terem ido às ruas reclamar. Mas, em vista do sórdido debate pré-copa e pré-eleitoral, preciso reiterar:

Andamos irresponsáveis. Há uma crise generalizada. Taxistas e empresários, jovens e velhos. Todos muito malandros. Todos muito otários.

A Internet tem desperdiçado tempo em conversas surdas e rasas. Completamente vazias de encontro. O debate mal feito no comentário. Acreditamos que nossas tarefas e nossos problemas terminam no botão “enviar”.

Não me dou o luxo de considerar-me melhor do que os sistemas econômicos e políticos dos quais faço parte. Dialogo com eles. É o que posso. E relativamente simples: dizer bom dia, ajudar quem precisa, ser gentil sem discriminar classe, raça, gênero, preferência sexual, pensar no voto, no meio ambiente, nas pessoas à volta.

Procuro maneiras mais justas de fazer as coisas. Do transporte ao trabalho, do chuveiro à saúde. E, apesar de compartilhar os pensamentos com amigos ou desconhecidos. Tudo começa dentro. Desconfio de quem conta demais com a chegada de qualquer messias. Os ianques não irão nos salvar, nem os russos, nem o supremo tribunal, nem a mudança para os EUA.

Não acredito em ascetas. Acho ótimo que o Marcelo Freixo beba Coca-Cola. Também não simpatizo com heróis, por que não acredito em monstros. Ambos se confundem! Quem é a aberração? O justiçado no poste, ou o justiceiro que prende e lincha? Nem todos os gatos são pardos, mas todos tem direito à embargos infringentes, se essa for a lei. Que isso fique claro.

Dirceu não é herói e Cabral não é monstro. São pessoas. Frágeis e falhos como todos nós. Merecem a justiça democrática, não o julgamento e a raiva dos botequins. Então, para que não morra por linchamento mais nenhum inocente nos cantos do nosso país, cuidado com a porra da retórica. Cuidado com a porra da retórica. Estamos conversados?

Que cada um faça as pazes com o seu monstro e seja herói de si mesmo. Fica a prece.

Me responsabilizo. Tenho problemas. Estou errado na maioria das vezes. E o pior: ando solitário. Pessoa disse que nunca tinha conhecido “alguém que tivesse levado porrada”. Eu sigo com a sua pergunta: “onde é que há gente nesse mundo?”. Meus caros “campeões em tudo”, vamos vestir nossas infâmias. Vamos ser gente. Nos libertaremos.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s


%d bloggers like this: